"Decifra-me, disse eu á esfinge...
Pra falar de amor tem que ter em mente toda a beleza do mundo, palavras de grande significado e impacto. É preciso ter a alma de uma manada inteira de elefantes que carrega a sabedoria do universo em seus lombos gigantes. Tem que olhar de cima pra não perder de vista o horizonte, ser pássaro, ser luz, ser cada gota de chuva que despenca do céu, ser oceano, infinito, ser silêncio e o grito de liberdade que se faz ecoar desdobrado e repetido na cordilheira do Himalaia. Pra falar de amor é preciso sentir nas palmas das mãos o frio profundo das paredes nas Ruínas de Petra da ensolarada Jordânia, amores vividos e acumulados, encrustados em anos de história. Entender que apesar dos obstáculos é o único sentimento capaz de superar o mal. Nele estão contidos as maiores forças do planeta, a esperança, a solidariedade e a felicidade e apesar da sua complexidade, o amor existe nos detalhes, nos pequenos gestos, nos olhares diretos. Ele tem a força das águas das quedas das Cataratas do Iguaçu, se precipita, despenca e se planifica em um delicioso banho de vapor. Emaranhar-se em suas nuvens de água nos faz pensar como o amor pode ser solúvel, maleável e informatável, visto que não se pega, não se come, pelo ou menos no sentido literal, mas se sente em todos os sentidos do mundo. E pedra por pedra o amor é construído e tal qual as Muralhas da China é forte, protege, acalenta e destitui a sombra de qualquer dúvida bandida. A vontade de correr sobre ele de ponta a ponta feito equilibrista durante seu doce e singelo número solista. Ele é a sensação de ser livre, a vontade de voar e plainar sobre as cabeças da humanidade inóspita, depressiva e sem graça. Larga isso de mão e vem falar de amor comigo? E não vamos nos esquecer da paz. Te mando uma passagem de avião e ao sobrevoar o Rio olhe bem para o Cristo Redentor, com seus braços abertos, tão impoluto e soberano. Vamos falar de amor ao som de rock in roll? Essa vida já é sofrida demais para nos deixarmos sucumbir pela dor, me desculpe, eu preciso de amor.
Elisa Bartlett.  
 
We are not simply in the universe, we are part of it. We are born from it. One might even say we have been empowered by the universe to figure itself out — and we have only just begun.
Neil deGrasse Tyson 
Hoje eu colocarei pequenas lâmpadas em todos os lírios, e acenderei os campos da Terra para que a Lua, quando nasça, pense que está bêbada, e que o Infinito virou ao contrário, e vomite sobre o Mundo uma galáxia multicor.
Vinicius de Moraes. (via oxigenio-dapalavra)
Nasci para administrar o à-toa, o em vão, o inútil. Pertenço de fazer imagens. Opero por semelhanças. Retiro semelhanças de pessoas com árvores, de pessoas com rãs, de pessoas com pedras, etc. Retiro semelhanças de árvores comigo. Não tenho habilidade pra clarezas. Preciso de obter sabedoria vegetal. (Sabedoria vegetal é receber com naturalidade uma rã no talo). E quando esteja apropriado para pedra, terei também sabedoria mineral.
Manoel de Barros.    (via oxigenio-dapalavra)
Ter borboletas nas mãos é saber conduzir sensibilidade e deixar que o vento sopre leveza. É fechar os olhos e sentir que as pálpebras descansam o piscar e o olhar. É sentir o pé se esquivar e acontecer uma inversão de queda, voo. Pelas asas das borboletas, que de tão leve, se desmancham com lágrimas, não por conta do líquido, mas pela dor da ausência. E a dor escapa dos olhos em momentos assim. Os olhos se escondem, mas sabem das borboletas, sabem do frio insensato que o coração sente ao pulsar mais rápido e rápido e rápido, quase que uma explosão. Ter borboletas nas mãos é saber cuidar de um amor, voando junto a ele, pra qualquer céu, pra qualquer mundo.
John
Mas se eu ficar triste, só triste, eu serei mais uma a aumentar as tristezas no mundo. E a tristeza só consegue nos deixar fracos e inertes. O que o mundo precisa é de um exército de gente feliz, capaz de doar um pouco de si e do que sabe. Capaz de fazer a diferença na vida de algumas pessoas. Meus braços não são do tamanho do mundo, mas foram feitos no tamanho exato de abraçar alguém.
Rita Apoena.
A loucura é a doçura que nem todos têm coragem de provar.
Otávio L. Azevedo   (via oxigenio-dapalavra)